quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Da série "Aforismos"
-- Mas tome cuidado, minha filha, essa cidade tá uma selva!
E eu olhei pela janela do ônibus mas não vi nenhum animal selvagem, apenas seres humanos.
Da amada terra do Brasil

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
ONS: Transformar!
-- Estamos aqui com o Operador Nacional do Sistema e líder dos Autobots, Optimus Prime, que vai finalmente explicar a causa do apagão que deixou quase todo o país sem luz. Sr. Optimus Prime, o que ocasionou o apagão do último dia 10/11?
-- Segundo nosso agente de campo, Bumblebee, a culpa é do Megatron!
-- Mas, Sr. Optimus...
-- Autobots, transformar e rodar!!!
Atenção ao embarcar: Pão, Circo e Marchinhas de Carnaval!
-- Uai (licença poética, posso?), têm pão não? Que comam bolo, sô! Gente tonta...
Teria dado certo se ela tivesse dado ao povo os bolos e alguma distração do tipo arremesso de jacobino à distância ou algo assim. Mas nem só de Pão e Circo vivem rainhas loucas e reizinhos arrogantes e equivocados: também grandes empresas lançam mão desse artifício para domesticar seus clientes e conter graves revoluções. É o caso da Barcas S/A aqui no Rio, por exemplo. Há tempos que o número de usuários das barcas vem aumentando a olhos vistos (expressão besta porque não se pode ver nada com os olhos fechados), mas a Barcas S/A não tem, pelo menos parece, e a olhos vistos, investido o suficiente para equacionar esse problema que, justiça também seja feita, não é sua culpa. Assim, têm-se formado, já com bastante regularidade, filas enormes nos períodos de pico do cotidiano nítero-fluminense (matei meia-dúzia de gramáticos puristas do coração agora...). Qual foi a solução mais barata e rápida encontrada pela administração das Barcas S/A? Música! Sim! A boa e velha música das antigas marchinas de carnaval e hinos de times de futebol, tudo executado por uma tipica bandinha de músicos aposentados, daquelas que também tocam em inauguração de farmácia e em discursos do Odorico Paraguaçú. Não é uma solução muito inteligente: dependendo da música, os ânimos podem ficar alterados na já estressante fila quilométrica para comprar o bilhete das barcas. Hoje flagrei um desses momentos:


O detalhe é para os gorrinhos de marinheiro e as camisas dos quatro times de futebol mais tradicionais do Rio de Janeiro (não sei se o músico de amarelo com um trombone de vara na mão - sem duplo sentido, por favor - está vestido com a camisa de algum clube carioca. O América é que não é!). Vamos combinar que é uma política safada de contenção da ira furiosa dos clientes, mas é de uma inteligência e de uma perspicácia notáveis. Estando a bandinha vestida com as cores dos times de futebol mais famosos da cidade, evita-se uma possível briga por causa de futebol e atinge-se o carioca naquilo que ele tem como valor ético-moral mais elevado. Além disso, o gorrinho de marinheiro dá um toque muito simpático ao quinteto, forçando uma aproximação com o público de forma quase lúdica.
Para as Barcas S/A, portanto, não basta que seus usuários "dancem", é preciso também uma trilha sonora que justifique e complemente nossa atitude de passividade idiota diante de uma passagem cara e de um serviço obsoleto.
A partir de amanhã vamos todos colocar letra nas músicas da bandinha (que provavelmente se chama Banda Maracanã):
"Ei, você aí, me dá uma barca aí, me dá uma barca aí!
Não vai dar, não vai dar não? Você vai ver que grande confusão:
Eu vou pedir, pedir até sair,
Me dá, me dá, me dá, oi, me dá uma barca aí!"






